A Sororidade de dentro para fora.

 

Mesmo com a atual disseminação do feminismo e todo o conceito de sororidade, ainda acho difícil ver esse conceito em prática.  O fato é que a mulher sempre estará sendo julgada pela sociedade e seu histórico papel formador nela como genitora.

E ai é que deveria começar nossa sororidade, entre mães, filhas, irmãs e avós.
A realidade é que por muito tempo eu tive um misto de amor e ódio da minha própria mãe, ela me teve muito jovem e sem estrutura emocional fez decisão atrás de decisão baseada no desespero de se encontrar, na falta de maturidade. Eu até então criada pela minha avó, influenciada pela família comecei não só a ressenti-lá por um abandono não opcional, a julgar como irresponsável, imatura, imprudente, egoísta e tantos outros adjetivos que eu me achava digna de intitular a ela.  Mas sempre tem o momento em que a vida te mostra às coisas como realmente são, talvez maturidade, talvez empatia ou até mesmo ambos. Fizeram-me ver que a situação não era exatamente como minha visão revoltada de adolescente me mostrava na época ou como o julgamento misógino dos meus familiares fazia parecer.

Eles pouco se importavam com toda a dor que ela tinha passado de ser afastada de uma filha ou a perda de um filho pequeno, se ela nunca foi uma mulher moldada a maternidade, só viam o comportamento sexual dela como definidor de caráter. Minha mãe na verdade foi quem me ensinou que o prazer é a única coisa da qual você como mulher tem verdadeiramente controle. É difícil encarar a realidade de que todo dia você ao sair na rua ou dentro da sua própria casa você pode ser abusada como ela foi. E a única coisa da qual ela tinha controle na vida dela era o próprio prazer. E foi por ele que fez tantas escolhas das quais eu julguei egoístas, mas era parte da sua desesperada tentativa de rebelião por liberdade e controle. Minha mãe não se julga feminista, hoje em dia ela evita conflitos e discussões de qualquer tipo. O argumento é que já não consegue mais se irritar com problemas pequenos quando já sofreu tanto, ela vê a situação como um todo, sabe que não consegue abraçar o mundo. E apesar disso, foi ela que me mostrou o maior significado de sororidade, é aquele que começa de dentro pra fora com o amor próprio e não julgamento ao comportamento das mulheres ao nosso redor. Hoje eu posso me dizer mais feminista do que nunca, por que tento não julgar as mulheres ao meu redor sejam elas do meu convívio intimo ou não. Não que seja fácil, o inconsciente às vezes me tenta e deixa o temperamento passar a frente do aprendizado. O que não me impede de refletir sempre e mudar de opinião. É importante ter em mente que sempre vamos cometer erros, mas ter humildade de ouvir o próximo e não impor opinião como verdade absoluta é de extrema importância.

A sororidade é um lindo conceito, mas nada vale se aplicado da porta pra fora de casa onde a falta convívio e intimidade tornam muito mais fácil perdoar o “erro” alheio. Afinal é muito fácil discutir com quem nos ama por que sabemos que a pessoa vai relevar.

Autora do texto: Tayna Guerra

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