Você conhece Joni Mitchell, a grande musa de Crosby, Stills, Nash & Young?

Quando pensamos em grandes nomes da música que estouraram na década de 70 e permanecem na memória, automaticamente nos lembramos de Bob Dylan, Neil Young, Joan Baez, Graham Nash, David Crosby, Steve Stills…. Dificilmente alguém vai falar de cara: Joni Mitchell. Além de ter um som encantador, essa canadense tem mais de 20 álbuns nos seus 30 anos de carreira. Bastante coisa, não é? E o melhor é que é bastante coisa de qualidade.

Seu verdadeiro nome é Roberta Joan Anderson, que além de cantora e compositora é também pintora. Sua voz alcança uma extensão vocal de duas oitavas e meia e é impressionante o tanto que a voz de Joni é maravilhosa. Suas letras sempre são fortes e auto-construtivas, abordando desde temas autobiográficos até a industrialização e a destruição da natureza (deusa, eu sei).

Ela teve muitos altos e baixos na sua carreira, mas teve força o suficiente para superar as dificuldades que encontrou. Ela já se viu abandonada grávida, sem entender o que o público esperava dela e acabou se casando com um cantor folk, Chuck Mitchell, que acabou emprestando o sobrenome artístico de Joni. O relacionamento não durou muito e ela acabou conhecendo pessoass como Elliot Roberts e o ex The Birds, David Crosby, que a ajudaram a gravar discos e fazer seus shows.

Joni e Nash (do Crosby, Stills, Nash & Young) viveram um romance tórrido, atrapalhado pelo fato de sua esposa não lhe conceder o divórcio. Quando Joni começou a sair com James Taylor, Nash prontamente compôs: “Tentei penetrar através dos muros nos quais você vive / Como amigo voei de muito longe pra uma amiga… / E se você continuar a se comportar como agora / Toda a música nas minhas veias se transformará em pedra”. (Frozen smiles, 1972)

Seu primeiro disco é o “Joni Mitchell”, conhecido como “Song to a Seagull”, que acabou com muitas de suas canções regravadas por grandes artistas da época. Em 1970 ela recebeu o Grammy de Melhor Artista Folk graças ao álbum “Clouds” e no mesmo ano a gravadora Reprise lançou o terceiro disco da artista, o “Ladies of The Canyon” que lhe rendeu o seu primeiro disco de ouro (o equivalente a 500.000 cópias para os mais antiguinhos).

Infelizmente o sucesso não foi tão libertador quanto Joni pensou que seria. Ela começou a se sentir sufocada, afirmando constantemente se sentir “presa em uma gaiola”. Foi questão de tempo para ela diminuir o seu ritmo de apresentações e praticamente se isolar do mundo em uma casa próxima a natureza com a devida privacidade. Isso não a impediu de lançar novos discos, mas as suas aparições públicas se tornaram cada vez mais raras.

Seu disco “Blue” é considerado por muitos a sua obra mais marcante de todas. Muitas pessoas da época acabavam se identificando muito com o estado de espírito que Joni conseguiu passar com suas belas composições em tom de azul melancólico. O disco fala muito sobre solidão, amor, perda e até distância. Por isso mesmo ele é tão confessional.

E descrever o álbum é muito difícil, porque ele nem parece um disco, parece a personalidade de uma pessoa ali. Seus medos, suas angústias, suas esperanças…o cair! É um disco muito honesto, é como se pudesse sentir uma moça desconhecida chegando e cuspindo tudo que aprendeu nos últimos anos e você só absorvesse isso e pensasse “caramba, que humano isso”. O disco dá uma rompida com o padrão hiponga que Joni tinha, mostrando uma artista madura, transparente e apesar de fime, vulnerável também. Pra mim, Kate Bush tem um quêzinho dela. E depois delas vieram as pops/confessionais/viscerais como Alanis Morissette (minha diva ispiração da vida, diga-se de passagem) e Fiona Apple.

Ao ouvir a loira, é como se o dedo tocasse na ferida mesmo. É quase um abraço e você pensa “caramba, que incrível eu ter entendido dessa forma essa música maravilhosa”. Sobre a interpretação… não tem nem como descrever de forma justa o tanto que essa mulher canta.

Recomendo ouvir primeiro todo o álbum Blue para depois conhecer a primeira fase da cantora.

Algumas curiosidades sobre a artista:

  – Joni ainda vive reclusa e quase nunca cede uma entrevista. Em uma das poucas entrevistas que cedeu, ela exigiu ser entrevistada pelo seu ídolo, Morrisey (ex-The Smiths). Morrisey, que também é fã declarado da artista, atendeu prontamente ao pedido e a entrevista (ou melhor, bate-papo) foi realizada. Você pode ouvir a entrevista (sem tradução) clicando aqui.

– Em 2002, Joni lançou seu mais recente álbum, “Travelogue”. Neste mesmo ano ela declarou: “eu tenho nojo de participar desse cenário musical”, se referindo à industrialização que a música veio sofrendo.

– Várias das capas dos seus discos são assinadas pela própria cantora, já que Joni tem o hobbie de pintar desde a infância.

– Foi considerada a 75º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista norte-americana Rolling Stone.

– Seu disco Blue, de 1971, ocupa a 30ª posição na lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone.

– No Brasil, a canção “The last time I saw Richard” foi interpretada pela banda Legião Urbana no disco Acústico MTV. E se você acha que já ouviu Big Yellow Taxi, vê só essa versão do Counting Cross + Vanessa Carlton: https://www.youtube.com/watch?v=tvtJPs8IDgU

– Na segunda metade da década de 70, Joni começou a revelar seu interesse pelo jazz e chegou a gravar, em 79, um disco com o baixista Charles Mingus, entitulado somente de “Mingus”.

– Em 1970, no Festival Isle Of Wight, considerado como sendo o Woodstock inglês, o show de Joni foi interrompido quando um homem entrou no palco pela parte de trás, retirou o microfone das mãos da artista e proferiu palavras reprovadoras quanto à organização e ao significado de um festival como aquele. O homem teve que ser arrastado para fora por seguranças. Este homem, curiosamente, era Charles Manson, o famoso serial killer.

 

Alguns motivos para ouví-la:

(quem me dera eu pudesse ouvir novamente essas músicas pela primeira vez)

 

E como ela está hoje em dia:

Não esquece de curtir o post e dizer o que achou! Até o próximo!

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